Postagens

Elementos da narrativa

Olá, viajantes! Hoje vou falar sobre os elementos que compõem a narrativa. Começo por enunciado e enunciação . O enunciado nada mais é do que a história propriamente dita, com começo meio e fim. Já a enunciação remete ao ato de um autor comunicar algo a alguém em determinada época e lugar. Há quem defenda que apenas o enunciado importa para análise, mas muitas obras dialogam diretamente com a época em que foram escritas, tornando impossível aos críticos desvinculá-las de autor e época de publicação. O enredo é o conjunto de fatos que se desencadeiam rumo à conclusão da história. É basicamente tudo o que acontece, é a própria narrativa. O enredo mais comum é o linear, que apresenta, nesta ordem, exposição (introdução, apresentação), complicação (desenvolvimento), clímax e desfecho (desenlace, conclusão). É claro, as narrativas modernas subvertem essa ordem, criando narrativas não-lineares, fragmentadas, subjetivas etc. O tempo na narrativa tende a se caracterizar em sua relação com o...

Para não confundir: Linguagem x Gênero

Olá, viajantes! Hoje vou falar um pouco sobre uma distinção que parece nebulosa para muitos: linguagem e gênero. O gênero é algo mais difundido, e que reconhecemos bem. Terror, Romance amoroso, Comédia, Comédia romântica, Aventura, Fantasia, Ficção científica, Realismo mágico, Drama e tantos outros são exemplos de gêneros de histórias. Agora a linguagem parece ser mais nebulosa, e muita gente a confunde com gênero, principalmente quando se trata de histórias em quadrinhos. Seriam as HQs um gênero de histórias? A resposta é não. Assim como a Literatura, o Cinema, a TV e o Teatro, as HQs são uma linguagem que engloba vários gêneros. Todas as linguagens elencadas acima, com suas particularidades e características próprias, são capazes de contar histórias de todos os gêneros apontados aqui, e muitos outros. Da mesma forma, todos os gêneros podem ser contados em diversas linguagens. Isso fica mais claro quando consideramos as adaptações de obras de uma linguagem (muitas vezes chamada de míd...

Making of: Dança Eterna

 Olá, viajantes! Hoje vou falar um pouco sobre como concebi o conto Dança Eterna, uma das primeiras histórias que escrevi do começo ao fim. O ano era 2004 e eu estava entediada no trabalho. Minha cabeça nas nuvens, como sempre. Por algum motivo, comecei a divagar sobre a existência vampírica: não monstros sem alma como retratados em Buffy: a caça-vampiros , mas seres ex-humanos cuja realidade havia mudado drasticamente. Mais como os da Anne Rice, em conflito com sua natureza original e a nova condição de vampiros. Queria falar sobre essa minha visão sobre os vampiros, que não é original nem extraordinária, mas que era minha. Então, a história foi chegando rápido, com seu começo, seu meio e seu fim. Escrevi em três dias. Vomitei mesmo tudo o que eu queria dizer sobre os vampiros na minha cabeça. Depois, ao longo de décadas – inclusive até pouco antes de decidir postar no Wattpad – reescrevi, cortei, adicionei, troquei, editei. Toda vez que sentava para ler a história, mudava alguma ...

Tensão, medo da morte e agonia de viver

Imagem
Olá, viajantes! Neste mês das bruxas, venho falar um pouco sobre terror e horror como conceitos literários. O terror pode ser explicado como a tensão da expectativa de algo terrível que está prestes a acontecer e é considerado como algo mais psicológico, abstrato. Para criar essa atmosfera, podemos nos utilizar de ambientes escuros e frios, sombras e elementos que fogem ao ordinário: um cheiro ou barulho estranho, um objeto misteriosamente fora do lugar, uma neblina inesperada etc. Já o horror é palpável, concreto, é quando se encara o que quer que esteja causando a tensão. Um assassino em série, um monstro, um fantasma, alienígenas, uma casa amaldiçoada, tudo o que represente o medo da morte. Dentro do espectro do horror, há o grotesco, cuja essência não é o medo de morrer, mas a angústia de viver. A demência pode ser uma manifestação do grotesco, assim como deformações que causem agonia e dor. A criatura de Frankenstein, que é feita de partes de corpos humanos, mas cuja existência nã...

Criando personagens: símbolos

Olá, viajantes! Para encerrar nossa viagem sobre personagens, venho dizer que há uma técnica de inspiração infinita para criar personagens complexos e interessantes: o uso de símbolos! Você pode criar personagens cuja personalidade e aparência sejam inspiradas na simbologia das cores. Uma personagem azul, por exemplo, pode ser inteligente e parecer fria, mas ao mesmo tempo sentir tudo muito profundamente e ser bastante instável. Ou você pode se utilizar da simbologia das flores para criar sua personagem. Uma personagem amarílis pode ser uma ótima amiga, mas também bastante orgulhosa e competitiva. Suas personagens podem se basear em cartas de tarô, pedras preciosas, signos do zodíaco ou do horóscopo chinês, significado de sonhos e qualquer outro conjunto de signos em que pensar e fizer sentido para você! Personagens podem ser combinações de símbolos de um mesmo conjunto ou até mesmo de conjuntos diferentes. Toda mistura constrói personagens mais complexos e interessantes. Até a próxima...

Criando personagens: visualização e tipos de personalidade

Olá, viajantes! Continuando nossa viagem pela criação de personagens de ficção, vou falar hoje sobre duas técnicas bem interessantes: visualização e tipos de personalidade. A visualização consiste, basicamente, em observar as pessoas em volta e criar histórias para elas! Pode ser um desconhecido na rua e, a partir da aparência, postura e expressão facial dá para criar uma vida inteira para ele. Pode ser uma pessoa conhecida, mas nesse caso há de se tomar cuidado para que a inspiração não fique óbvia, já que a pessoa pode se ofender com algum traço da personagem baseada nela. Pode, também, ser um ator famoso que inspire a personalidade e traços físicos da sua personagem. Além disso, sua personagem pode ser uma mistura de visualizações diferentes, o que tende a deixá-la cada vez mais complexa. Outra alternativa é se utilizar dos 16 tipos de personalidade da psicologia segundo o Indicador Tipológico Myers-Briggs (MBTI). Essa classificação se utiliza de quatro critérios para elaborar os ti...

A Jornada do Herói ficcional e seus arquétipos

Imagem
Olá, viajantes! Finalizando nossa viagem pelos arquétipos, vou compartilhar com vocês as visões de Christopher Vogler e Victoria Lynn Schmidt sobre a Jornada do Herói aplicada à escrita de ficção. Vogler, em seu A jornada do Escritor , divide os passos da Jornada do Herói em 12, que são: 1. Mundo Comum 2. Chamado à Aventura 3. Recusa 4. Encontro com o Mentor 5. Travessia do Primeiro Limiar 6. Testes, Aliados, Inimigos 7. Aproximação da Caverna Oculta 8. Provação 9. Recompensa (Apanhando a Espada) 10. Caminho de Volta 11. Ressurreição 12. Retorno com o Elixir Ele também encaixa essas etapas dentro de uma estrutura de três atos, sendo que ao final de cada ato, deve haver um ponto de virada na história: Schmidt, em seu 45 master characters , divide a Jornada do Herói em 9 passos, também encaixados dentro de três atos, que são: Ato I: Desafio 1. O mundo perfeito 2. Amigos e inimigos 3. O chamado Ato II: Obstáculos 4. Pequeno sucesso 5. Convites 6. Provações Ato III: Transformação 7. Morte ...